Operação Carbono Oculto: a lição sobre verificar parceiros e fornecedores que o setor de energia no Brasil não pode adiar

Em 28 de agosto de 2025, a Receita Federal, a Polícia Federal, os Ministérios Públicos e a ANP deflagraram a Operação Carbono Oculto, descrita pelas autoridades como a maior ação contra o crime organizado da história do país. Os números ajudam a dimensionar o ponto cego que a investigação expôs no setor de combustíveis: cerca de 350 alvos em oito estados, mais de mil postos com movimentação financeira incompatível que somou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, uma instituição de pagamento que, segundo os investigadores, funcionava como "banco paralelo" e movimentou mais de R$ 46 bilhões, e cerca de 40 fundos de investimento com patrimônio próximo de R$ 30 bilhões. As investigações seguem em andamento, e os investigados têm direito à presunção de inocência. Mas a pergunta que ficou no ar — como estruturas com esse perfil conseguiram se integrar a cadeias legítimas de distribuição, pagamento e investimento — é, em essência, uma pergunta de verificação: quem conferiu, a tempo, quem estava do outro lado do contrato?

O caso chega em um momento em que o setor de energia brasileiro amplia sua base de contratos. Em outubro de 2025, a Petrobras recebeu do Ibama a licença para perfurar o poço Morpho, no bloco FZA-M-059, na bacia da Foz do Amazonas, e em 2026 obteve autorização para outros três poços na mesma área. Novas fronteiras de exploração, leilões de transmissão e projetos de renováveis significam dezenas de novos prestadores de serviço, fornecedores e subcontratados entrando em operação em ritmo acelerado. Quando uma operadora precisa mobilizar terceiros em tempo recorde para não perder o cronograma, a verificação financeira, societária e de antecedentes costuma ser a primeira etapa a ser abreviada. O resultado pode ir de fornecedores inadimplentes a algo mais grave: a entrada, na cadeia, de empresas usadas para lavagem de dinheiro ou fraude fiscal.

O risco humano no setor também é físico e digital. A Transpetro registrou 31 ocorrências de furto e tentativa de furto em seus dutos em 2025, contra 25 em 2024 — a primeira alta após seis anos de queda desde o pico de 261 casos em 2018 —, com cerca de 70% dos casos em São Paulo; a empresa informa investir R$ 100 milhões por ano em prevenção. No campo cibernético, a Eletronuclear sofreu em 2021 um ataque de ransomware que atingiu sistemas administrativos, sem impacto na operação das usinas de Angra. A regulação respondeu: a Resolução Normativa ANEEL nº 964/2021 obriga os agentes do setor elétrico a manter uma política de segurança cibernética, e a rotina operacional RO-CB.BR.01 do ONS fixa controles mínimos para o ambiente regulado cibernético. Em infraestrutura crítica, porém, o vetor de entrada de um incidente raramente é apenas tecnológico: um terceiro com acesso a sistemas operacionais que não foi devidamente verificado, ou um prestador de TI sem exigências contratuais de segurança, pode ser a porta que um atacante acaba usando.

“O que a Operação Carbono Oculto mostra é que verificar um parceiro ou fornecedor não é um trâmite administrativo: é um controle de risco tão importante quanto qualquer protocolo de segurança industrial. Antes de contratar um prestador de serviços em um projeto dessa escala, é preciso responder a perguntas concretas: ele tem saúde financeira para sustentar o contrato? Quem são seus beneficiários finais? Tem histórico de descumprimentos com outros clientes? A equipe que vai mandar para a operação tem a qualificação técnica que diz ter? Automatizar essa verificação, e repeti-la ao longo de todo o projeto e não apenas no início, é o que permite sustentar o ritmo de investimento sem herdar riscos de terceiros”, afirma Guido Schenone, Comercial & Growth Manager da Validato, empresa suíça especializada em background screening e human risk management.

Para operadoras, distribuidoras e empresas de serviços que crescem junto com o setor de energia, a conclusão prática vai além do caso concreto: verificar a integridade financeira, a estrutura societária, os antecedentes e a capacidade técnica de cada parceiro antes da assinatura — e manter esse controle durante toda a relação, com reavaliações periódicas — faz parte da gestão de risco operacional tanto quanto o controle de acesso a uma instalação ou a segurança de um sistema de automação. O ritmo de investimento não precisa competir com essa verificação. Em um setor em que um parceiro mal avaliado pode transformar a empresa em elo involuntário de um esquema ilícito, é justamente a verificação que permite crescer com segurança.

Fontes e referências consultadas

Data de consulta de todas as fontes: 19/10/2026.

•    Diario de Pernambuco. "Operação Carbono Oculto combate sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis", 28/08/2025. https://www.diariodepernambuco.com.br/brasil/2025/08/11694358-operacao-carbono-oculto-combate-sonegacao-e-lavagem-de-dinheiro-no-setor-de-combustiveis.html

•    Jornal do Comércio. "Petrobras recebe licença do Ibama para exploração do poço Morpho", 20/10/2025. https://www.jornaldocomercio.com/economia/2025/10/1222505-petrobras-recebe-licenca-do-ibama-para-exploracao-do-poco-morpho-na-bacia-da-foz-do-amazonas.html

•    Ocean News. "Ibama authorizes Petrobras to drill three new wells in Foz do Amazonas Basin", 08/09/2026. https://oceannews.com/news/energy/ibama-authorizes-petrobras-to-drill-three-new-wells-in-foz-do-amazonas-basin/

•    Jornal de Brasília. "Transpetro registra aumento em furtos de dutos após seis anos de queda", 14/01/2026. https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/transpetro-registra-aumento-em-furtos-de-dutos-apos-seis-anos-de-queda/

•    Baguete. "Eletronuclear sofre ataque de ransomware", 08/02/2021. https://www.baguete.com.br/noticias/08/02/2021/eletronuclear-sofre-ataque-de-ransomware

•    Mattos Filho. ANEEL — Resolução Normativa nº 964/2021 (política de segurança cibernética). https://www.mattosfilho.com.br/unico/aneel-politica-seguranca-cibernetica/

•    Cenário Energia. ONS abre consulta para aprimorar a RO-CB.BR.01, 02/12/2025. https://cenarioenergia.com.br/2025/12/02/ons-abre-consulta-para-aprimorar-rotina-de-seguranca-cibernetica-do-setor-eletrico/

Validato S.A.

A Validato é uma fornecedora internacional de serviços de verificação de antecedentes (background screening) e Gestão de Riscos Humanos, com atuação no Brasil e em todo o mundo. Sua plataforma permite que as empresas avaliem, de forma estruturada e eficiente, a integridade, potenciais conflitos de interesses e outros riscos relacionados a candidatos e colaboradores, por meio de uma abordagem modular, escalável e em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD – Lei nº 13.709/2018) e demais normas brasileiras aplicáveis.

A oferta da Validato considera os requisitos legais e regulatórios vigentes no Brasil, combinando conformidade com a legislação local e experiência internacional em processos de verificação de antecedentes. As empresas podem configurar as verificações de maneira flexível, de acordo com o nível de risco associado a cada função. A Validato não cobra taxas de implementação, mensalidades ou anuidades, nem exige volumes mínimos de verificações, podendo ser integrada de forma flexível aos processos existentes de Recursos Humanos e recrutamento e seleção.

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Guido Schenone
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E-Mail: guido.schenone@validato.com
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